
Segundo policia de Milwaukee acusado de abusar das camaras Flock: o que os leitores de matriculas significam para a sua privacidade
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Um detetive dos assuntos internos e o segundo policia de Milwaukee acusado em poucos meses de uso indevido dos leitores de matriculas da Flock. O que aconteceu, o que estas camaras registam sobre todos os condutores, as reformas exigidas pela ACLU e o que pode honestamente fazer.
A 9 de julho de 2026, a ACLU do Wisconsin reagiu a noticia de que um detetive dos assuntos internos da policia de Milwaukee foi acusado criminalmente de uso indevido do Flock, o sistema de leitura automatica de matriculas (ALPR) do departamento. Segundo o comunicado da ACLU, o detetive tera usado a rede de camaras para seguir ilegalmente a localizacao de duas pessoas, com cerca de 20 pesquisas ao longo de um ano.
Dois policias, o mesmo departamento, as mesmas camaras

O que torna o caso notavel e o lugar onde o detetive trabalhava. Os assuntos internos sao a unidade que investiga a conduta dos outros agentes, e este detetive tinha participado no caso contra o ex-agente Josue Ayala - o policia de Milwaukee acusado em fevereiro de 2026 de usar o mesmo sistema Flock para pesquisar mais de 120 vezes a matricula de uma mulher com quem tinha saido, e 55 vezes a do ex-companheiro dela, segundo o Wisconsin Examiner. Sao assim dois processos criminais por abuso do Flock no mesmo departamento em poucos meses.
Amanda Merkwae, diretora de politicas e advocacia da ACLU do Wisconsin, considerou revoltante que um detetive dos assuntos internos esteja agora acusado de usar precisamente esse sistema para vigiar ilegalmente duas pessoas, e afirmou que os abusos do Flock pelas forcas policiais se tornaram um padrao preocupante e persistente. A organizacao lembra ainda que a policia assinou com a Flock contratos sem concurso, contornando a aprovacao da camara municipal.
O que os leitores de matriculas da Flock realmente registam
Um leitor automatico de matriculas e uma camara que fotografa cada matricula que passa, converte a imagem em texto e guarda a matricula com data, hora e local numa base de dados pesquisavel. Uma leitura e banal. Milhares de leituras ao longo de meses, pesquisaveis em segundos, compoem um mapa dos movimentos de uma pessoa: onde vive, trabalha, reza e protesta, e quem visita.
- Um detetive dos assuntos internos de Milwaukee esta acusado de seguir ilegalmente duas pessoas via Flock, cerca de 20 pesquisas num ano (ACLU do Wisconsin, 9 de julho de 2026)
- E o segundo caso de abuso do Flock no departamento em poucos meses: o ex-agente Josue Ayala foi acusado em fevereiro apos quase 200 pesquisas sobre uma mulher com quem saia e o ex dela
- As camaras ALPR registam cada matricula que passa, com hora e local, numa base pesquisavel
- Pelo menos 221 agencias policiais do Wisconsin usam o Flock (Wisconsin Examiner)
- A ACLU exige uma postura CCOPS, auditorias vinculativas e supervisao independente
- Nao ha opt-out na estrada - a transparencia e as regras locais sao a verdadeira alavanca
A Flock Safety, a empresa por tras das camaras de Milwaukee, construiu uma das maiores redes ALPR dos Estados Unidos, e as agencias podem partilhar o acesso entre si. So no Wisconsin, pelo menos 221 agencias policiais usam o Flock, segundo o Wisconsin Examiner. O alcance vai alem da policia local: o comunicado da ACLU cita tambem reportagens segundo as quais as autoridades federais de imigracao fizeram pesquisas em sistemas Flock locais por todo o pais.
O abuso e facil porque uma pesquisa nao custa nada. Um agente escreve uma matricula e um motivo num campo e, enquanto ninguem auditar realmente esses motivos, o sistema assenta na confianca. Os dois casos de Milwaukee vieram a luz porque alguem acabou por verificar. A imprensa do Wisconsin mostra que o problema nao se limita a uma cidade: com a expansao do Flock, varias comunidades do estado tiveram de enfrentar abusos do sistema pela policia.
Porque isto lhe diz respeito mesmo sem ser suspeito
As pessoas seguidas pelo ALPR, na sua esmagadora maioria, nao sao suspeitas. Se conduz, a sua matricula esta a ser registada, e nao ha opt-out: nao ha conta para apagar nem definicao para mudar. Os limites que existem - quanto tempo os dados ficam guardados, quem pode pesquisar, se as pesquisas sao auditadas - sao definidos por cada cidade e departamento, e em muitos sitios sao fracos. E isso que transforma uma ferramenta de combate ao crime numa infraestrutura que pode ser apontada a uma ex, a um jornalista ou a qualquer pessoa.
A exigencia da ACLU do Wisconsin nao e desligar as camaras, mas coloca-las sob controlo democratico: uma postura municipal do tipo CCOPS (controlo comunitario da vigilancia policial), um quadro codificado para a compra e o uso de tecnologia de vigilancia, protocolos de auditoria solidos e vinculativos, e supervisao independente. Membros da camara municipal de Milwaukee ja enviaram propostas de reforma a comissao de policia, portanto a materia-prima existe.
O que pode fazer face a vigilancia ALPR
Se isto o preocupa, a alavanca e local. Pergunte se a sua cidade ou condado usa ALPR - o Atlas of Surveillance da Electronic Frontier Foundation e um bom ponto de partida - e peca a politica escrita: prazo de conservacao, partilha com outras agencias, regras de auditoria. Algumas cidades com Flock publicam portais de transparencia que mostram como o sistema e consultado. Um pedido de acesso a documentos publicos, ou uma pergunta na assembleia municipal, costuma bastar para obter respostas.
Na estrada nao ha nenhuma definicao pessoal que trave um leitor de matriculas, e nao vamos fingir o contrario. Mas a mesma logica - rastos dispersos montados num perfil - aplica-se a sua vida online, e ai tem controlos. Reduzir a sua pegada digital e bloquear rastreadores diminui o que qualquer base de dados, publica ou privada, consegue juntar sobre si. Os nossos guias sobre como impedir que os sites o rastreiem e sobre o que e uma pegada digital cobrem os passos praticos.



A exigencia da ACLU do Wisconsin nao e desligar as camaras, mas coloca-las sob controlo democratico: uma postura municipal do tipo CCOPS (controlo comunitario da vigilancia policial), um quadro codificado para a compra e o uso de tecnologia de vigilancia, protocolos de auditoria solidos e vinculativos, e supervisao independente. Membros da camara municipal de Milwaukee ja enviaram propostas de reforma a comissao de policia, portanto a materia-prima existe.