A polícia do condado de Orange triplica o uso de drones e amplia os leitores de placas, em meio a déficits orçamentários

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A Voice of OC relata que os maiores departamentos de polícia do condado de Orange estão ampliando o uso de drones, câmeras de rua e leitores automáticos de placas com pouco debate público, mesmo enquanto o condado enfrenta déficits orçamentários. O que essas ferramentas registram, a preocupação com dados de imigração e o que os moradores podem honestamente fazer.

O condado de Orange, na Califórnia, está ampliando silenciosamente a forma como sua polícia vigia o público. Segundo uma reportagem da Voice of OC, uma redação sem fins lucrativos, pelo menos três dos maiores departamentos de polícia do condado estão aumentando seus gastos e seu uso de drones, câmeras de rua e leitores automáticos de placas, e estão fazendo isso com pouca discussão pública. A ampliação decorre das próprias divulgações anuais das agências sobre como usam equipamentos militares e de vigilância.

O número mais claro é sobre os drones. A Voice of OC relatou que os agentes do Sheriff do condado de Orange mais que triplicaram o uso de drones no último ano, empregando-os cerca de 500 vezes em comparação com cerca de 150 vezes no ano anterior. Esse número vem das divulgações anuais de equipamentos que as agências são obrigadas a publicar, que são uma das poucas janelas que o público tem para ver como essas ferramentas são realmente usadas.

Os drones são apenas parte disso. A mesma reportagem descreve autoridades de todo o condado de Orange avançando com mais câmeras de rua e mais leitores automáticos de placas, muitas vezes chamados de ALPR, para ampliar sua presença de vigilância. Essas não são ferramentas direcionadas apenas a suspeitos; elas registram de forma ampla.

É útil deixar claro o que um leitor automático de placas realmente faz. Uma câmera ALPR fotografa a placa de cada veículo que passa por ela e, em seguida, registra o número da placa junto com a hora, a data e a localização. Ao longo de meses, uma rede dessas câmeras pode reconstruir por onde uma pessoa comum dirige, quando e com que frequência, esteja ela acusada de algo ou não. O registro é construído sobre todos, não apenas sobre as pessoas sob investigação.

Os drones acrescentam uma capacidade diferente: a vigilância aérea persistente. Um drone equipado com câmera pode pairar sobre um bairro, acompanhar movimentos e captar imagens de ângulos que câmeras fixas não conseguem alcançar. Usado caso a caso com um mandado, é uma coisa; usado rotineiramente e em larga escala, muda o quanto da vida pública é registrado por padrão.

Uma preocupação específica percorre a reportagem: para onde vão as imagens. A Voice of OC apontou temores de que os dados de vigilância coletados localmente possam chegar a agentes federais de imigração. Uma vez que imagens e registros de placas existem em um banco de dados, a questão de quem pode solicitá-los, e sob quais regras, torna-se central, e isso muitas vezes é decidido pela política e não pela câmera em si.

É o momento que torna isso notável. Segundo a reportagem, várias dessas mesmas cidades e o condado estão lidando com déficits orçamentários estruturais e alertas de que precisam apertar os gastos. Ampliar programas de vigilância no mesmo momento levanta uma questão direta sobre prioridades que, de acordo com a Voice of OC, não teve muito debate público.

Essa falta de debate aponta para a verdadeira lacuna: a supervisão. As divulgações anuais de equipamentos militares existem justamente para que os moradores e os representantes eleitos possam ver o que está sendo comprado e como é usado. Quando as ampliações avançam com pouca discussão pública, essas divulgações se tornam o principal, e às vezes o único, mecanismo de prestação de contas.

Então, o que um morador pode honestamente fazer? O passo mais útil é ler as próprias divulgações; por serem documentos públicos, elas nomeiam os equipamentos e os números de uso. Além disso, comparecer às reuniões de supervisão ou do conselho onde esses programas são aprovados, e perguntar por quanto tempo as imagens são retidas e quem pode acessá-las. Vale a pena ser honesto também sobre os limites: não existe nenhuma configuração de consumidor que exclua seu carro de um leitor de placas, e os hábitos cotidianos de privacidade digital fazem pouco contra câmeras físicas no espaço público. A alavanca aqui é cívica, não técnica.

O quadro do condado de Orange é um exemplo local de um padrão nacional: ferramentas de vigilância se espalhando mais rápido do que as regras públicas que as governam. As ferramentas em si são hardware neutro. O que decide se elas protegem uma comunidade ou apenas a observam é a política em torno de retenção, acesso e divulgação, e se alguém está prestando atenção quando os orçamentos são aprovados.

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